O Palhaço da Perna de Pau

Era domingo. Os meninos da minha rua davam longas risadas um olhando para o outro ao verem um palhaço suspenso numa perna de pau que não tinha mais tamanho; Já por outro lado, alguns meninos pintados nas suas faces para poderem ganhar seus ingressos teriam que acompanhá-lo na maior algazarra do mundo. E repetiam a corriqueira frase de palhaço :Hoje tem espetáculos?

-Tem sim senhor !

Era grande o reboliço na cidade. Muitas pessoas adultas corriam para as suas janelas com um ar de curiosidade para verem o palhaço para de noite assistirem ao grande espetáculo, já tanto noticiado pelas ruas com muito humor. A tarde tristonha caía sobre a cidade lamentando a despedida do sol que, por detrás das palmeiras, emitiam os últimos raios dourados do dia – era a noite enfim que chegava. O circo trouxera uma empanada quase toda esburacada que, vez por outra,algum moleque liso atravesava para o lado de dentro, ficando muito bem compartado com medo de ser reconhecido na arquibancada de espécie de um puleiro. Na porta, muitas pessoas compravam seus ingressos. Do lado de dentro, um canjunto constituído por rapazes cheios de modismos, executavam músicas de José Augusto e Fernando Mendes , enquanto chegasse hora esperada.

Passado alguns minutos, tudo pronto, muita gente presente, respeitável publico já tinha sido cumprimentado, quando sem demora, lá vinham algumas meninas requebrando sob o som de um merengue muito sensuais fazendo a abertura da primeira noitada.Eram engraçados os lutadores usando blusões de couro, cardões com amuleto de dentes de animais, pulseiras de um modo estravagante, cujos nomes traziam à imaginação uma idéia de força e invencibilidade, muito embora fossem fracos e pequenos.Mas os sorrisos, gritos da galera, animavam o circo na magia dos mágicos e na queda de um trapezistas que errara o pulo caindo sem graça no chão. Por detras das cortinas o dono do circo rogava a São Pedro que não chovesse antes que o espetáculo terminasse já que o circo não tinha coberta.E passando alguns dias a circo teria que partir para outra cldadezinha deixando até mesmo saudade, e muita criatividade para meninos criativos que logo fizeram dos quintais de suas casas uma verdadeira miniatura de circo.Contudo, circo é coisa para a gente sorrir, quer com beleza ou não, ele anima as cidades e, às vezes, ampolga o jovem ocioso do interior que acha bonito tantas aventuras e acaba partindo com o circo para ser mais um malabarista das grandes noites divertidas circenses.

Em ” O Imparcial ” 22.07.1987

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