Menino de Rua

Menino de Rua

 

 

Sem luar a noite é vã

Sem sol o dia é embaçado.

Da roseira vi a rosa murchando,

Da rosa vi fugindo o aroma e o encanto.

Qual o menino abandonado…

A vaguear numa ladeira sinuosa

E ingerindo o sobejo de outrem

E idealizando alguma aventura.

Fantasma dos becos solitários

Onde o bêbado paira, urina e vomita,

Ele empapela-se e agasalha-se

Do frio da noite que a seu corpo castiga.

Sem segunda-feira atrapalhada

Sem dia natalício, nem papai noel

E sem carrinhos caros e modernos

Ele improvisa com trecos da lixeira

Seu brinquedo sob sonhos dourados.

Oh! quão belo é se viver!

Quando se vive como gente.

Oh! quão doído é se sofrer!

Quando se sofre tão ausente.