
Em 12-09-1988 em ” O Imparcial”.
Estive, recentemente, visitando a Baixada Ocidental do Maranhão, sendo mais notadamente a cidade lacustre de Penalva-MA, terra aben çoada em que nasci. Por lá, ainda se pode contemplar a exuberância dos campos verdejantes onde a fauna e flora parecem mais com o cartão de visita da cidade em harmonia com a exímia indole daquela gente.
As máquinas embrenhadas nas matas, onde era possível somente a passagem de cavalos e o caboclo baixadeiro enfrentava as maiores necessidades de locomoção, agora, estão desbravando o matagal para a construção da estrada num trecho de 50km até ao Povoado Santeiro, por determinação do então governador Epitácio Cafeteira, concretizando assim, o sonho daquela gente laboriosa. E parece mesmo que é o prenúncio de uma nova era para aquela região, tantas vezes embromada nos palanques com promessas eleitoreiras e com inexplicáveis desvios de verbas. É o progresso, enfim, chegando nos confins do baixão.
Portanto, faço uma advertência as autoridades constituídas do município no que tange as questões ambientais, pois, a chegada de uma estrada em qualquer cidadezinha isolada, as transformações serão inevitáveis mudando até mesmo o comportamento da população. E uma diversidade de vicissitudes que devem, a rigor, serem observadas;Já por outro ângulo, o polêmico caso dos búfalos, já esquecido, na região do Capivarí está concentrada grande quantidade desse rebanho, o que de acordo com depoimento de moradores do povoado, estão causando grandes estragos para aquelas bandas numa ação devastadora.E no mais, o lucro imediato numa sociedade de consumo não faz medir conseqüências nem desfaz o homem de suas ambições comerciais. E a natureza na sua fragilidade é violada diante da insensatez humana. “A escassez do pescado do Lago Capivari, deve-se a voracidade dos búfalos que comem as ervas aquáticas que servem de alimento para o peixe”, disse um pescador das margens do lago, invadem as residências, rasgam as redes de pesca, além de provocar pânico na população ribeirinha da região.Portanto, esse animal como é de origem selvagem, deveria ser criado em cativeiro e não às soltas prejudicando os pescadores e as comunidades lacustres da própria sobrevivência.
James Cunha
Em ” O Imparcial” – 22.09.1988