
Publicado em ” O Imparcial” – 30.09.1991
Pronto.Já foi redefinido o prazo para solucionar a maldição da presença dos búfalos nos campos da Baixada Ocidental Maranhense.Vencido o prazo, ou seja outubro/91, a redação oficial do projeto substitutivo da Emenda Constitucional alterou os artigos 24 e 46 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Estadual, para 4 anos ( até o ano de 1993), a partir da promulgação da Carta de 1989.Isso, porém, antes, de um estudo das áreas inundáveis públicas.
Esperamos embora tardiamente que antes mesmo do fim desse elástico prazo, as leis sejam cumpridas literalmente e as conveniências sejam menor que o interesse de cunho social.
Mas os campos secam vertiginosamente, já havendo de uma grande estiagem.E certos criadores por sua vez, tentando os trâmites da Constituição, estão “cercando” os campos antecipadamente sendo mais notadamente as conhecidas áreas inundáveis, obstruindo a passagem de pessoas pelos caminhos campesinos e dos próprios animais de se deslocarem de um lado para outro.Até seria bom, se esse trabalho fosse realizado sobre essas áreas públicas no período invernos, pois, assim, saberiam distinguir melhor os campos dos currais.
Dizem como álibe alguns criadores mergulhados no mar da insensatez, que os búfalos são a redenção da baixada Maranhense ( apenas dos criadores); isso não se sustenta quando vemos o camponês cada vez mais espoliado, os estragos, a devastação ocasionada pelo próprio animal selvagem, o êxodo rural, enfim, os conflitos de terra.E a baixada tão bela, tão hospitaleira aos poucos vai morrendo o verde, a ternura da esperança.
Agora, por exemplo, me chega informação que em Penalva chega imensas boiadas de criadores da região, de forma desenfreada. Notícias oriundas do Capivarí dão conta de que naquela região a escassez do peixe é deveras cruel, dada a presença desse rebanho bubalino que pisam, urinam nos pequenos lagos deixando à água a lamacenta e o peixe sem oxigênio morre.Como se não bastasse, invadem as humildes residências durante à noite noite, tirando a pouca tranquilidade do injustiçado pescador, fato esse cognominado na região como ” a medição da região.
James Cunha
“O Imparcial ” em 30.09.1991