
D.Quintina, filha de Ana Caporal.
Arte: Joãozinho Foto Sousa
A Festa da Ascensão em Penalva deve-se à influência religiosa e cultural deixada pelos portugueses na região desde o século XVIII. Era considerada uma das festas mais primorosas e esperadas pela população em épocas passadas. Os preparativos iniciavam no mês de abril de cada ano e a comemoração ocorria na quinta-feira da 6ª semana da Páscoa, tradicionalmente realizada no mês de maio conhecida como “Quinta-feira da Ascensão”, celebrando a subida de Jesus Cristo ao céu.As ladainhas aconteciam no barracão de Dona Ana Caporal, localizado na Rua Militão Barros, próximo à beira-rio, reunindo a comunidade em um momento de fé, tradição e confraternização. A festividade ganhou grande destaque sob a organização de Dona Ana Caporal e Cacho D’Ouro, durante a tradicional Festa do Divino nas águas penalvenses, contando com a participação das caixeiras, embarcações ornamentadas, orquestras de sopro, competições de remadores e diversas manifestações da cultura popular.As lanchinhas enfeitadas conduziam as caixeiras da Festa do Divino, os cascos movidos a remo viravam uma atração a mais no lago.

Caixeiras da Festa do Divino. Arte: Joãozinho Foto Sousa
As embarcações maiores à época eram do porte da São Sebastião, Yara, Fátima, Imperatriz, Estrela do Mar e outras que faziam linha de São Luís para Penalva ( não tínhamos estrada), se integravam ao evento, as zeladoras da Igreja Católica, distribuíam senhas às pessoas presentes para um breve passeio de ida e volta a Cajari e ao Jacaré, dando – lhes o direito a uma deliciosa comida, cuja arrecadação era em benefício da Igreja.A viagem era muito prazerosa e alegre em meio às nossas belezas naturais.
Em terra firme, destacavam-se apresentações de Bambaê, Tambor de São Benedito, Tambor de Mina e Bumba Meu Boi, atraindo milhares de pessoas para a orla do rio e fortalecendo a identidade cultural do município.

Festa do Divino às margens do rio Cajari. Arte: Joãozinho Foto Sousa
Após o falecimento de Dona Ana Caporal, a sua filha Quintina deu continuidade à tradição, mantendo viva a festividade por muitos anos.Com o passar do tempo, entretanto, a festa foi perdendo parte de seu brilho em razão do falecimento de importantes baluartes da nossa cultura popular local, bem como da ausência de incentivo contínuo. Ainda assim, personalidades como Dona Zuquinha, Maria Grande e Seu Reis mantiveram a tradição viva com grande esforço.

D.Zuquiha e suas caixeiras na festa da Ascensão sobre o lago de Penalva. Arte: Joãozinho Foto Sousa
Em gestões municipais anteriores, houve iniciativas de resgate cultural da Festa da Ascensão, reconhecendo sua relevância histórica para o povo penalvense.
A vereadora Luana Alves de Morais , presidente da Câmara de vereadores e da Colônia de Pescadores Z-23, vem dando total apoio à nossa cultura, fez solicitação ao executivo municipal, por meio do Projeto de Lei 015/ 2026, o qual foi aprovado por unanimidade no Plenário João Fonseca em Sessão realizada no dia 28.05.2026, que busca reconhecer oficialmente a importância histórica e cultural da tradicional festa da Ascenção, no contexto religioso e turístico, instituindo-a como feriado municipal e integrando-a ao calendário oficial de eventos do município, preservando uma tradição que faz parte da memória, da identidade e do patrimônio cultural de Penalva.
E, com essa aprovação e da sanção do Pode Executivo, ora, o atual gestor Henrique Guerra vem realizado grandes eventos em Penalva de relevante notoriedade , a festa da Ascensão poderá ser festejada em grande estilo em maio de 2027.