
Foto: Francisco Mendonça Filho
O sobrado colonial do século XIX é símbolo da história da economia da cidade histórica de Viana, que na época foi o município mais rico e importante da região.A cidade era conhecida pelo honroso título de “Rainha da Baixada Maranhense”. O sobrado de azulejos amarelos, estrategicamente localizado próximo ao porto, onde florescia o melhor comércio da cidade, funcionou a antiga fábrica Santa Maria, na Rua Cônego Hemetério, no centro histórico de Viana.

O abandono
Esse sobrado foi edificado pelo português conhecido como Pimpão Maia, construído com muitos materiais vindos de Portugual, com fachada de azulejos, pedras de cantaria em suas quinas e nas calçadas.Com o Passar do tempo, doutor Araão, o doutor Bona e seu sócio José Silva assumiram à direção da fábrica, em seguida, foi a vez de Leonel Alves de Carvalho, assumir. Anos após esse império comercial que era a fábrica Santa Maria, passou a pertencer ao empresário Edgar Serzedêlo de Carvalho, neto do famoso Estêvão Rafael de Carvalho.Mais tarde a convite do empresário, aportou em Viana um jovem português chamado Antonio Gaspar Marques, que logo se tornaria sócio do proprietário.Com o falecimento do Edgar, assumiu José Miguel de Castro e no início da década de 1930, o português assumiria os negócios, depois de casar-se com uma vianense e ali residir por alguns anos. Tempos depois, chegaria de Portugal um primo do Antonio Marques, chamado Armando Gaspar, que lhe substituiria a frente do comércio, enquanto o primeiro transferia-se para São Luís. Armando também se casou em Viana com Maria da Conceição Pinheiro (Zizi , entenda o porquê de Vila Zizi), filha de um outro português, Delfim Neves Pinheiro, há muito estabelecido na cidade. Os últimos moradores do sobrado amarelo foram o Sr. José Mendes Pinheiro e sua esposa, D. Laura Mohana, que ali viveram durante as décadas de 50 e 60, quando ainda mantinham no prédio o comércio de tecidos, a fábrica de pilar arroz, a máquina de descaroçar algodão e mais uma de torrefação de café, o famoso Café Pinheiro, que se tornou uma referência na cidade de Viana. Em sessão solene da Academia Vianense de Letras, ocorrida em 25 de novembro de 2017 foi feita a doação do casarão da fábrica Santa Maria (sobrado Amarelo) de propriedade da família Gaspar, ao município de Viana, que recebeu da citada família das maõs de Raimundo Gaspar, responsável pelas empresas da família a escritura pública de doação do imóvel, segundo o gestor municipal da época seria feita a restauração onde funcionaria o Centro de Cultura da Cidade de Viana, que infelizmente não saiu do papel.
A nova gestão municipal através do prefeito Carrinho Cidreira, conforme matéria publicada no site da FAMEM em 1° de fevereiro de 2021 o atual prefeito se reuniu com o secretário Estadual de Cultura e uma das pautas foi no sentido de buscar recursos que pudessem garantir a restauração completa desse importante monumento histórico de Viana.A propósito, estamos torcendo para que a nova gestão municipal tenha êxito nessa importante recuperação desse patrimônio histórico e arquitetônico da nossa cidade de Viana, que se encontra em ruínas se deteriorando com o tempo e que ainda pode e deve ser restaurado. Se com parcerias foi possível reconstruir um patrimônio histórico demolido, por que não restaurar um em ruínas pedindo socorro?
Fonte:
(*) Áureo Viegas Mendonça é geógrafo, escritor, servidor público federal e pesquisador.
Fonte da Pesquisa:
Cordeiro, João Mendonça, Retrato de Viana MA, 1683 a 2013. São Luís: Segraf, 2016.
Gaspar, Carlos. O Sobrado Amarelo, São Luís: Sotaque Norte, 2007.
Jornal o Renascer Vianense, edições nº 17 e 37
Soeiro, José. Viana te amarei por toda a vida. São Luís: Editora Folha da Baixada. 2007.